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EDUCAR É PRECISO
Por Giovanni Pereira. 09/03/2011

Estamos num momento crucial no Brasil. Momento de otimismo em relação ao futuro do país. Finalmente, pode-se dizer que o Brasil tem as condições necessárias para se tornar verdadeiramente um país desenvolvido.
Será?

No campo econômico, o país tem feito sua lição de casa, não se descuidando dos controles e ajustes, principalmente, daqueles a cargo do Banco Centro, como o controle da inflação com os constantes ajustes da selic.
Entretanto, tomemos o exemplo da educação.
A educação possibilitou que muitos países se desenvolvessem. Países devastados por guerras insanas encontraram na educação a melhor maneira de dar a volta por cima e se transformarem em potências mundiais.
E qual e a realidade do Brasil, hoje?
Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o tempo médio de estudos dos brasileiros com mais de dez anos situou-se em 7,2 anos, ou seja, menos do que os oito anos necessários para concluir o ensino fundamental, obrigatório no país.
Os desafios para que esse quadro melhore são imensos. A começar pelo núcleo familiar. Vivemos hoje uma crise de valores éticos e morais sem precedentes. Há certa permissividade que vem deteriorando os valores fundamentais da convivência em família que, na verdade, é reflexo da sociedade.
Há também um problema social, que faz com que os pais tenham que passar horas a fio longe de casa, trabalhando, deixando que seus filhos fiquem soltos, à vontade, à própria sorte e expostos a vários meios de comunicação que transmitem conteúdos que muitas vezes reforçam, exclusivamente, os maus valores.
Esses problemas todos acabam “desaguando” na escola, que, por sua vez, não consegue lidar adequadamente com os fatores advindos dessa crise porque, afinal, o sistema de ensino no país vive também uma crise. Afora os problemas financeiros, percebe-se uma crise didático-pedagógica.
Muito mais do que transmitir conteúdo, educar é compreender a realidade concreta da sociedade. O Educador deve observar não só o aspecto técnico, ou seja, de domínio do conteúdo, mas também, o aspecto político, ou a quem se destina o conteúdo; o aspecto ético, adotando e incentivando atitudes críticas sobre o conteúdo e finalmente o aspecto estético, ou seja, perceber, sentir, instigar o educando. Educar, então, é compreender a relação ensino-aprendizagem, dando a oportunidade para que o aluno possa construir conhecimento, ajudando assim na formação do ser humano e do cidadão.
Observo esses aspectos didático-pedagógicos não só nos níveis educacionais básicos, mas também no ensino de terceiro grau e ensino profissionalizante. Todos esses desafios tornam o Brasil vulnerável em termos de competitividade. Vem ao encontro desses fatores uma pesquisa que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou em 2007 com 1714 empresas mostrando que 76% delas consideram a falta de mão-de-obra qualificada no Brasil um entrave na busca pela eficiência nos negócios. Em pouco mais de três anos, a situação não mudou. Então, se hoje há essa falta de mão-de-obra para assumir os postos que já existem, imaginem num futuro próximo, com o mercado em expansão?
Portanto, é com urgência que o Brasil precisa melhorar a educação, qualificar adequadamente a sua força de trabalho e exterminar de vez com condutas aéticas e amorais que estão arraigadas em todos os níveis da sociedade. Brincando, eu costumo dizer que para o Brasil fazer tudo isso é preciso de um dilúvio para acabar com tudo e o país renascer. Espero, sinceramente, que não precise chegar a tanto.
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